Senhoras
e Senhores,
Dentro
dos postulados de economia de mercado, são os empresários os interlocutores
naturais dos programas de desenvolvimento econômico, cuja responsabilidade,
ninguém contesta, não só de realizar o plano global e integrado
como de controlar sua execução, incumbe ao estado.
Resultante de profundas mutações do comportamento humano, o
desenvolvimento flui da íntima correlação com as pesquisas desenvolvidas
no seio das universidades.
Daí, as motivações da UFC para incluir esse painel sobre investimentos
nas comemorações de seu jubileu de prata que marcam com especial
relevância o papel que ela tenha cumprido ao longo de sua ação.
Honrados pelo convite, sentimo-nos, portanto, muito à vontade
para abrir esta sessão em nome da Federação das Indústrias do Ceará.
Os dias atuais caracteriza-se pela crescente integração entre
o teórico, que investiga, e o dirigente da empresa, situado na vanguarda
da “Praxis”, no momento não menos relevante da conversão das idéias
e das leis científicas em bens, obras e serviços úteis a coletividade.
Reconhecemos a forte dependência da disponibilidade de recursos
humanos, para o êxito de qualquer processo de desenvolvimento, assim
como sabemos que, a longo prazo de uma coletividade, o investimento
de mais seguro retorno e aquele feito com a educação.
A Universidade pois compõe e integra o corpo social, como um
dos seus elementos fundamentais, não sendo a ninguém lícito pretender
desconhecer, no Ceará, as profundas mutações ocorridas com o advento
e crescimento de nossa Universidade Federal.
Partidários
da livre iniciativa, que o projeto nacional tem como válida, compreendemos
que ela é o mais eficaz instrumento para o desenvolvimento do Brasil.
Por isso, há de estar o empresário, consciente de seu papel como
agente dinâmico que é do processo, em estreita ligação com o técnico.
E a Universidade critica, e diz o renomado filósofo e professor
Miguem Reale, “exatamente por ser crítica, isto é, por ter a independência
que nasce da autoconsciência do saber positivo, não se arreceia
do diálogo e dos contatos com as estruturas empresariais, sabendo
receber destas os estímulos, as sugestões e os problemas, como
partes integrantes e vivas que elas são da sociedade democrática,
plural em sua estrutura e aberta em seus meios de atualização dos
valores humanos”.
Planos não tem faltado ao nordeste. Os últimos governos, a
nível estadual e federal tem exibido enfaticamente, o propósito
desenvolvimentista através de projetos custosamente elaborados.
Mas, o que se depreende do índice de crescimento de nossa economia
é que o resultado não tem correspondido à expectativa, que a ação
não corresponde a declaração, ou que os meios não se compatibilizam
com os fins...
Gunnar Myrdal registra como conseqüência do próprio subdesenvolvimento
e distorção a que estão sujeitos os projetos pelo desengajamento
dos escalões de execução da administração.
Ainda mais, diz o autorizado economista: “outros desvios surgem
com a promoção pessoal que resulta em chocante desperdício com obras
de fachada, e em subsídios a custosos investimentos improdutivos”...
Todos sabemos que desenvolvimento é sacrifício dificilmente
obtido sem ajuda de fora.
Não desejamos perder-nos na análise dos planos governamentais
na área da SUDENE, fugimos de considerações sobre promessas e projetos,
tão, prometidos quão adiados...
Emergências
inflacionárias e energéticas, que não são nossas, surgem como pretexto
para o adiamento dos reclamados tratamentos diferenciados a que
temos direito, reduzindo-se também, desregradamente porque subtraídos
a uma região dependente e reflexa, conquanto auto-suficiente em
divisas, petróleo, etc., os recursos do FINOR, sob a suspicaz alegação
do custo benefício em comparação com investimentos aplicados no
sul do país.
Tal alegação poderia parecer mais apropriada pelo investidor
privado do sul, que aliás, aqui ainda não apareceu.
É verdade que o governador Virgílio Távora tem desenvolvido
extraordinária ação para atrair esses investidores, dentro do programa
incentivado de relocalização de indústrias, ao mesmo tempo que anuncia
o polo metalúrgico estatal.
Através da SIC Seplan, e Bandece, sua ação é objetiva e realista.
Por isso, queremos enfatizar nosso apoio à ação do nosso governador
no plano do Desenvolvimento Econômico porém, com a dignidade de
propósitos de cidadãos cônscios dos seus deveres de liderança, queremos,
os empresários cearenses, advertiu que é urgente a coragem de nos
opormos – governantes e governados – à falácia das promessas federais
sem compromisso, ao mesmo tempo em que devemos cerrar fileiras,
a nível estadual, contra a promoção do paternalismo administrativo,
em benefício de uma política verdadeiramente desenvolvimentista.
“Bons planos reclamam, para sua execução, bons governos”, dizem
os economistas. É que a industrialização por si só não opera milagres.
Há um conjunto de métodos e processos que exigem reformulação
por parte de todos, principalmente da pública administração. O problema,
de resto, tem sido exaustivamente versado por quantos estudam a
teoria econômica do subdesenvolvimento.
Em “O drama da Ásia” Gunnar Myrdal nos ensina:
“Quando
se deve começar de base extremamente modesta, nem mesmo um grande
empurrão no surto industrial poderá nas décadas futuras fornecer
diretamente novos empregos, senão a uma fração muito diminuta da
força de trabalho. É preciso frisar este ponto, e destarte destacar
a expectativa inteiramente irrealista, ainda mantida por tantos,
de que a rápida transformação da estrutura ocupacional ocorrerá
tão logo seja lançado o programa de industrialização”.
Não significa, dizemos nós, que não reconheçamos que a industrialização
continua a ser o setor estratégico principal, qualquer que seja
a filosofia econômica adotada. Mas, a propósito, não podemos perder
de vista que Pernambuco e Bahia, com siderúrgicas e um parque fabril
bastante diversificado, exibam, concomitantemente, assustadores
bolsões de miséria...
Os industriais cearenses,sabemos que estamos mobilizados para
o desenvolvimento, no qual temos investido todos os nossos esforços
e patrimônio.
Sabemos,
também que além dos deletérios afeitos da explosão demográfica (verdadeira,
neoplasia social), pesam sobre os ombros de todas as lideranças
os sérios problemas da inflação, do endividamento interno, do balanço
de pagamentos e as graves tensões sociais latentes, função das desigualdades
impossíveis.
Sentimos
a universidade, também a braços com os problemas dos excedentes,
do ensino gratuito, do diplomado sem emprego, do currículo, estes
problemas como aqueles igualmente compartilhados por todos os que
tem a mínima parcela de liderança. Esta é portanto, nossa hora da
verdade...
Aos que me sucederão neste painel, cabe-lhes demorar-se sobre
programas e projetos das agências de desenvolvimento.
Teremos preferido olhar o verso da medalha, é que o conhecimento
crítico dos problemas em toda a sua profundidade ajuda a sua superação,
pois o verso da medalha mostra-nos travestidos de desenvolvimentistas,
praticando, classes dirigentes e dominantes, sobretudo aquelas,
um comportamento, um assistencialismo cartorialista, inibidor, e
frustrante das iniciativas...
Por reconhecermos nos interlocutores a mesma dignidade de propósitos
de estarmos imbuídos, acreditamo-nos livres dos riscos das suscetibilidades
personalísticas.
Fique-nos a lição do saudoso economista, o Pe. Lebret-Expert
dos problemas dos países subdesenvolvidos.
“Sob a orientação de políticos esclarecidos e melhor “utilizando
a poupança dos seus cidadãos, a maioria das “regiões ou países subdesenvolvidos
poderia sair do “subdesenvolvimento sem praticamente recorrerem
à ajuda externa”.
Muito
Obrigado.
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